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Quando comecei esta jornada no Yoga, eu sentia demasiado, o meu coração tinha a incrível capacidade de se entregar passionalmente a qualquer causa e eu acabava invariavelmente por sofrer. Felizmente com o Yoga veio a tomada de consciência de todo esse processo semi-inconsciente e eu consegui alguma paz interior. Infelizmente, à umas semanas a paz meteu férias e o meu coração teve uma recaída - voltei a sentir demais. Tenho para mim que a minha mente é parcialmente culpada, e que o facto de ficar fixada num só pensamento, em nada ajuda um coração que morre de vontade de se oferecer como mártir a qualquer causa, especialmente se for uma causa perdida.

Nunca percebi a minha imensa atracção por causas perdidas, não sei se EGO, instinto maternal, ou apenas um gosto sádico e inconsciente pelo sofrimento, mas não há causa perdida que não faça o meu coração bater mais forte. Especialmente quando as causas perdidas têm um par de olhos incrivelmente belos e ternurentos. Fiquei arrebatada quando percebi a quantidade de tristeza, de abandono que lhe consumia o coração. Falamos algumas vezes, muito ao de leve sobre isso, mas rapidamente as palavras tornaram-se poucas, e eu quis beija-lo, abraça-lo, absorver alguma daquela tristeza, encher-lhe o corpo e alma de felicidade. 

Quis, mas não o fiz. Em vez disso falamos, rimos, deixamos os nossos corpos perto um do outro, mas sem nunca transpor os limites da casualidade. Desde ontem que sinto cravadas no peito as palavras que nunca lhe disse, e que a vontade de voltar a sentir o corpo dele perto do meu, de inspirar fundo e saborear o cheiro ameno do seu perfume, leva-me automaticamente às lágrimas. Se estou apaixonada? Não creio, mas sinto a urgência do meu coração, em se entregar por completo e sem reversas, só para que possa salva-lo de si mesmo e de todas as tristezas que lhe consomem o peito. E eu tenho a perfeita consciência que ninguém pode salvar ninguém e que a paz interior só pode alcançada nas curvas longas e tortuosas de uma viagem de auto-conhecimento, mas ainda assim se ele me pedisse, se ele também me quisesse, eu ia.

Não sei de onde este amor ás causas perdidas, ou este complexo de salvadora de homens, mas sei que me faz mal. Que vai contra tudo o que acredito e que é um grande, GRANDE passo atrás na minha viagem até a paz interior. O Yoga trouxe-me uma nova consciência e com ela veio o gosto por uma vida serena, tranquila e em paz (comigo mesma e com os outros). Imagino que esta seja uma lição que devo aprender, e que até o fazer estou "condenada" a encontrar homens perdidos, em busca da salvação que eu nunca lhes consigo dar. 

 

Love S.

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publicado às 22:05



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