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Uma longa viagem

06.11.18

Já perdi a conta da quantidade de vezes, em que perante a FORÇA dos acontecimentos, sinto-me minúscula. Começo a sentir nas entranhas o peso do mundo a colapsar sobre mim, impedindo-me de respirar profundamente. 

Fico paralisada pelo medo, de tudo, de todos. Mexer-me assusta-me, inspirar assusta-me, e até mesmo o mais pequeno gesto, parece grostesco e capaz de perturbar irreversivelmente a estabilidade do dia-a-dia.

E o medo vai crescendo até se tornar insuportável. E eu não consigo fugir, desaparecer. Fico ali presa, incapaz de me aclamar, mas sem outra opção que não olhar o medo de frente, ainda que com um pouco de vergonha, por voltar a esta situação "familiar". 

Mas depois reconheço que este é um lugar de imensa coragem. Porque admitir que temos medo exige coragem, porque lutar à contra a ansiedade, durante tantos anos, é cansativo e deixa marcas, no corpo e na alma, que o simples acto de continuar a tentar, a viver, exige uma coragem imensa.

Sei que é mais fácil olhar para o medo, e para o efeitos da ansiedade na minha vida, e pensar que fracassei. Mas isso seria muito injusto e redutor.

A verdade é que passados tantos anos, ainda aqui estou, e que por cada batalha "perdida", há incontáveis batalhas ganhas. 

Se estás na mesma situação, se lutas diariamente contra algo: força! o teu esforço não é, e nunca será em vão. E podes não conseguir ver os resultados hoje, mas garanto-te que um dia vais olhar para trás, e sentir muito orgulho da tua viagem.

 

Love S. 

 

publicado às 10:08

Passados três anos de yoga e outros dois a "tentar" aprender meditação, a minha ansiedade não desapareceu. Não aprendi, ainda, a permanecer tranquila e equânime face as contrariedades da vida, nem sei se algum dia serei capaz de o fazer. Há eventos que chocam, que abalam violentamente a nossa essência e num pequeno espaço temporal viram o nosso mundo do avesso.

Não, não fui capaz de deixar de sentir medo, nem me entreguei nas mãos da vida e ganhei uma confiança inabalável em Deus| Universo| Fonte...ou qualquer outra nomenclatura que prefiram utilizar.

Ainda sou o mesmo eu de sempre, pequeno, temeroso, desconfiado, assustadiço. Humano. Sou apenas um ser humano, igual a tantos outros, com os mesmos momentos de dúvida, desconforto e até de sofrimento. Há alturas em que não quero sentir mais, e o meu único desejo é virar uns copos de vinho tinto ou tomar um ansiolítico, daqueles que ainda estão escondidos no fundo da gaveta, do armário da cozinha. Mas escolho não o fazer.

Em vez disso, escolho aceitar que sou humana. Que sinto dor e medo, muito medo. Que viver ás vezes dói, no corpo e na alma, mas que é essa a minha| nossa condição.

Escolho aceitar que se estou nesta fase, é porque é aqui que necessito de estar, e que as dores de crescimento fazem parte da vida, e  todas elas têm o seu propósito. Nada disto é em vão.

E é esta pequena mudança, quase que impercetível, entre fugir e aceitar que faz toda a diferença, pelo menos para mim. Porque afinal, a mudança que eu procurava, através do yoga e da meditação, não é tanto sobre viver uma vida livre de medos e ansiedades, mas sim sobre aprender a viver com eles. 

Love S.

 

 

publicado às 14:46


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